10.7.09

Segredos do Altruísmo


Fazer Bem Sem Olhar a Quem

A filantropia existe ou não passa, no fundo, de egoísmo encapotado?
O ser humano tem inclinação para o altruísmo, palavra que provém do vocábulo italiano altrui, que significa "de/ou para os outros". Até as crianças muito pequenas tendem a ajudar de forma
espontânea.
Fez-se experiências com chimpanzés, e verificou-se que os nossos "primos" na evolução agiam de forma semelhante. Possívelmente tenhamos herdado uma certa capacidade para adoptar comportamentos altruístas do nosso antepassado comum, mas está muito mais desenvolvida nos seres humanos.
Numa colmeia, as abelhas operárias raramente se reproduzem. Pelo contrário, cedem à rainha o privilégio de assegurar a descendência, uma forma de transmissão dos genes.
Ajudar os familiares aumenta as probabilidades de os genes passarem para a próxima geração, e quanto mais próximo fôr o grau de parentesco, maior será o nível de altruísmo.

A "tragédia dos comuns"
A parábola conta a história de um grupo de pastores que utilizava a mesma zona de pastagens. Um deles pensou que podia acrescentar uma ovelha às que já pastavam nos pastos comuns, pois o impacto de um único animal não afectaria em quase nada a capacidade de regeneração da terra. Os restantes pastores também pensaram, separadamente que poderiam juntar mais uma ovelha sem estragar os pastos. Porém, a deterioração imperceptível causada por cada ovino devastou a zona, de modo que tanto os animais como os pastores morreram de fome.

"Nunca é demais lembrar-mo-nos de que, no final, todos contamos."
Lumenamena

18 comentários:

Toni disse...

Correndo o risco de ser politicamente incorrecto, na espécia humana o altruísmo NÃO É expontâneo. NINGUÉM faz o bem sem olhar a quem e ainda menos sem pensar no que pode ganhar com isso.
Só o cinismo e a hipocrisia, ou então uma incomensurável dose de crença ou inocência, pode permitir acreditar que o altruísmo é praticado de forma desprendida.

Lumenamena disse...

Toni - "Até as crianças muito pequenas tendem a ajudar de forma espontânea", que ainda não iniciaram o processo de socialização. A razão é muito simples. Dou-te um exemplo: Uma criança de 18 meses de idade, quando brinca ao pé da mãe que estende roupa. De repente, a mãe deixa cair uma mola no chão e finge que não consegue apanhá-la. A mãe disz em voz alta "a minha mola!". Em menos de dez segundos, a criança que ainda não sabe falar, está aos seus pés a apanhar a mola e, entrega à mãe para que possa terminar a tarefa. Este comportamento é nitidamente altruista!
ATENÇÃO: no post está referido de que as crianças reagem desta forma.

Fazer bem sem olhar a quem, tem uma base biológica ou cultural. O ser humano é o único organismo capaz de fazer frente e contrariar os ditames genéticos, graças à nossa cultura específicas. Obviamente existem comportamentos humanos que não se ajustam a essas bases, infelizmente!

Um Bem Haja
Lumenamena

Azoth disse...

Existem ideias que sempre o foram e sempre irão ser, porque a sua existência é independente de qualquer manifestação fisíca. Tais ideias, dentro do conceito temporal que possuímos são eternas e como tal podem ser consideradas como sagradas.

Para captar tais conceitos é necessário estar em determinado patamar evolutivo. O Altruísmo não se herda, o Altruísmo atinge-se como alguém que sobe ao topo de uma montanha.
Nem os animais, pelo patamar evolutivo que ocupam, nem as crianças pelo precoce desenvolvimento da consciência são Altruístas. Quando é dar a entender que não se entende o conceito de Altruísmo, ou provavelmente, está mais intelectualizado que propriamente vivido pela alma. Pela lógica de pensamento manifesta neste artigo, até um robot poderia ser considerado o cume do altruísmo, visto que faz qualquer coisa sem pedir nada em troca. Penso, que mesmo assim no íntimo de todo nós, reconhecemos que o altruísmo não está relacionado apenas com o simples acto de ajudar ou fazer.

Altruísmo é um sacrificar-se CONSCIENTEMENTE, é dar a outro ou ajudar, sem esperar nada em troca. É derramar sobre esse acto todo o Amor da alma que afasta de si todo e qualquer desejo de recompensa ou reconhecimento. É agir. É agir com AMOR pelo DEVER e o dever é a Ética ou Moral que faz de nós Homens.

Colocar ou pensar o Altruísmo como ao serviço da propagação das espécies, como ferramenta da natureza para tal fim, filosoficamente é como atirar lama a um símbolo que se considere sagrado. Alguma vez passou pela cabeça de alguém que a madre Teresa nas suas obras tinha interesses em propagar a espécie humana?

Coloquem uma banana a certa distância de dois chimpanzés. Um deles não possui pernas, o outro está bem fisicamente. Acham que é da natureza dos chimpanzés o conceito de ajuda mútua pelos laços de Amor estabelecidos? O que está bem fisicamente, por sua natureza, não irá comer a banana? No entanto, algumas espécies animais, incluindo os próprios chimpanzés, realizam actos que nos surpreendem verdadeiramente, mas a grande diferença entre esses actos e os actos que os humanos realizam está na CONSCIÊNCIA do acto em si, está no sentir no coração o Amor colocado na acção. Um cão pode salvar uma pessoa de morrer afogada, mas são os seus instintos que o impelem a tal.

Lumenamena disse...

Caríssimo Azoth - O altruísmo pode ser uma característica inata do ser humano, e também como solidariedade animal. Os cientistas descobriram condutas altruístas em muitas espécies. Os morcegos regurgitam sangue para o partilhar com os seus congéneres. As toupeiras escavam túneis que são aproveitados por outros destes mamíferos. Os cercopitecos correm riscos para avisar os outros de um perigo. Por acaso não existe aqui altruísmo nos animais, caríssimo Azoth?
Antes de concluir, vou mencionar desde já, que o artigo fala sobre ALTRUÍSMO BIOLÓGICO E CULTUTAL, não confunda a interpretação do artigo.
Como no post referi, as crianças possuem atitudes altruístas. As experiências realizadas por Felix Warneken e Mike Planck, na Alemanha, mostram-nos que o ser humano tem inclinação para o altruísmo. As atitudes altruístas assinalaram os investigadores, de que seriam inatas na nossa espécie.
Em relação aos robôs, existe o "Efeito Kismet", ou seja, é um estudo que mostrou, em que as pessoas que se sentiam vigiadas pelo robô eram altruístas. Através de uma série de experiências, verificou-se que os indivíduos chegavam a doar mais 30% na presença do robô do que na sua ausência. Inclusivé os autores do estudo, asseguram que o "efeito Kismet" poderia ser explorado por organizações de caridade ou pelos serviços de cobrança de impostos. Inclusivamente na "teoria dos jogos", uma área da matemática aplicada, serviu para estudar as nossas estratégias e comportamentos mais básicos através dos jogos.
O que poderá explicar tanta generosidade? Os princípios básicos enunciados por Charles Darwin sobre a selecção natural e a sobrevivência não contradizem este altruísmo animal.

"Alguma vez passou pela cabeça de alguém que a madre Teresa nas suas obras tinha interesses em propagar a espécie humana?" Em relação à Madre Tereza de Calcutá, a sua missão era exclusivamente em ajudar os mais necessitados, não vejo onde foi buscar "interesses em propagar a espécie humana?".

Um Bem Haja,
Lumenamena

Azoth disse...

Insisto, visto que não me respondeu à pergunta. Um robot que execute tarefas que eram impossiveis a um ser humano realizar, ou mesmo aquelas que um ser humano pode realizar, como por exemplo aspirar o chão, uma vez que nada pede em troca, arrisca a sua existência em favor do homem, etc. pode ser classificado como altruista?

Lumenamena disse...

Obviamente que não. Mas nesse ponto de vista foge ao raciocínio do que se trata no artigo. Aí está a colocar a hipótese da consciência. nesse aspecto penso que só os seres humanos a possuem.

Azoth disse...

Ou seja, para si, Altruismo e consciência não estão relacionados, certo?

Lumenamena disse...

Não foi isso que eu quis dizer.
É evidente que o altruísmo e consciência estão relacionados. O altruísmo em máquinas (robôs) não existe! :)

"Um robot que execute tarefas que eram impossiveis a um ser humano realizar, ou mesmo aquelas que um ser humano pode realizar, como por exemplo aspirar o chão, uma vez que nada pede em troca, arrisca a sua existência em favor do homem...", esta sua frase não tem nexo, aqui o robô tem consciência inata?
Um robô quando executa uma tarefa, essa tarefa é imposta pelo homem, o homem é que o programa.
Os humanos têm capacidade de pensar e fazer escolhas, e não estão determinados, o robô não consegue distinguir o bem do mal, ou ter opinião, digamos ser altruísta.

Azoth disse...

Ou seja, estando o Altruísmo relacionado com a consciência, agir altruistamente não é somente um acto de ajuda, correcto? Até mesmo um robot pode ajudar.
Veja se consegue resolver este problema: coloque o robot e um morcego em frente a um espelho. Qual dos dois reconhece a imagem reflectida como pertencente a ele mesmo? Formulará algum pensamentos do tipo: - estou gordo, preciso de fazer dieta?

Lumenamena disse...

Exactamente, um robô pode ajudar, como acima referi, estando programado para determinada tarefa.

O problema é deveras interessante!
O robô tem um sistema parecido com o de morcegos para "enxergar". Quero dizer com isto que o robô envia sinais de ultrasom para descobrir o obstáculo, tal qual o morcego. Essa informação no robô programada pelo homem (consciência).

Nenhum dos dois reconhece conscientemente, o que acontece é que os sinais de ultrasom, lhes emite um simples obstáculo pela frente.

Azoth disse...

Coloque na posição do morcego um cercopiteco, um animal mais evoluído que um morcego, que lhe parece, acha que ele vai identificar a imagem do espelho como sendo sua? Ou irá pensar que está na presença de outro símio?

Lumenamena disse...

Azoth - "um animal mais evoluído".

Não aceito esta frase, uma vez que não existem animais mais voluídos do que outros, em termos biológicos, ou em termos de evolução.
Cada animal é perfeito no seu habitat. Por exemplo: o morcego está no topo da evolução da sua espécie, assim como o cercopiteco.

O chimpanzé é o único símio capaz de se identificar no espelho. Ele observa-se no espelho e até chegar ao momento de se identificar como ele próprio, demora algum tempo. Eles não "pensam" de maneira simbólica, mas o uso de ferramentas é uma espécie de precursor do pensamento simbólico.

Azoth disse...

Então vemos que, mesmo que o chimpanzé consiga ter uma ténue consciência do eu, nunca ele vai ter a consciência do Eu que o homem tem diante de um espelho. Desta nossa breve análise, podemos concluímos que existe uma graduação da consciência e que o reconhecimento do Eu apenas está ao dispor do homem. A seu ver, acha que tem sentido em aplicar-se a ideia de Ética e Moral a seres que não reconhecem o seu Eu? Ou seja acha que tem sentido aplicar-se falar-se de Ética entre os animais?

Lumenamena disse...

Azoth - Sim, tem sentido falar-se de ética entre os animais.

Durante o processo de evolução da espécie, o conceito ética e moral, como produtos da inteligência e da capacidade de raciocínio humano, foram gravadas no nosso DNA.
O ser humano partilha alguns padrões de comportamento com os chimpanzés. Então, esse tipo de comportamento, entre os animais, é o resultado da mesma corrente da evolução que produziu o senso de moralidade dos seres humanos.

Alguns primatas possuem gestos de solidariedade e de gratidão.
Só dois pequenos exemplos: Os chimpanzés não sabem nadar, mas arriscam-se tentando salvar os seus colegas. Os macacos Rhesus, submetidos à experiência na qual, para obtêr comida, tinham de puxar uma corrente que dava choques eléctricos nos seus companheiros, conclusão: preferiam passar fome.

Azoth disse...

Gostei da teoria do gene da ética, olhe que desde há muito que tais genes não devem estar a ser passados de progenitores para filhos. Só é pena que os genes de boa gente não tenham passado para os seus filhos.

Outro dia passou na televisão um elefante a pintar de tromba e pincel, pela sua lógica do 1+1=2 então o elefante tem em si o conceito de arte.

Lumenamena, os animais não possuem o conceito do eu, alguns estão próximos de tal, e surpreendentemente, nem são os macacos, mas sim cães, gatos e elefantes, ou melhor, a vida que habita nesses corpos.

Lumenamena, acredita sinceramente que um ser que não possua uma mente abstracta consiga atingir conceitos tão abstractos como o são a Harmonia, o Amor, o Altruísmo, a Ordem, a Lei, a Justiça, etc..????

Como concluiu anteriormente do acto não se podem tirar conclusões precipitadas, porque então até um robot poderia ser considerado altruísta, existe algo mais. É esse algo mais que nós humanos possuímos. Os animais sentem dor e sentem prazer, no máximo da sua evolução poderão sentir alguma emoção básica pois, através da mente concreta que estão a desenvolver, já podem associar certas memórias e pensamentos lógicos ao prazer e à dor. Tal leva-os a experimentar estados de depressão e alegria, por exemplo e, tal e qual como nós, procuram o que lhe possa proporcionar os estados mais positivos. Um animal de estimação, está connosco não porque nos ama, mas porque sente prazer em estar connosco, porque, se fomos bons donos, proporcionamos-lhe uma certa alegria, e fará tudo ao seu alcance para estar ao nosso lado. Mas o seu acto é egoísta, porque somente quer satisfazer a sensação de bem estar. Altruísmo, lumenamena é quando nós Homens, mesmo sabendo que vamos morrer, salvamos alguém, mesmo um desconhecido, um animal fá-lo porque sente prazer em fazê-lo, nós sentimos que é nosso dever.

Não sei se entende esta pequena diferença, mas ela é fundamental.

Lumenamena disse...

Azoth - Concordo plenamente com o seu raciocínio.

Só mais uma observação: Parece que a capacidade dos animais de se comportar de forma altruísta, está directamente ligada à capacidade deles se reconhecerem como "entidade", como "consciência" separada do todo.

Fez-se um teste da seguinte forma: pintam uma mancha colorida numa parte do corpo do animal, de forma que ele nao possa ver, (na testa por exemplo) e põem um espelho à frente do animal. Se ele tentar tirar a mancha que vê no espelho, no próprio corpo, quer dizer que ele se reconhece como "entidade" segundo os especialistas!
Parece que até pouco tempo só os primatas, (alguns deles) e golfinhos, tinham essa habilidade, também parece que mais alguns animais foram "diagnosticados" com tais capacidades.

Um Bem Haja,
Lumenamena

Edson Carmo disse...

Nós não damos só quando damos aos outros. Nós também damos quando estamos dando a nós mesmos. Se eu dou um presente, será que não o dou para ver o beneficiado feliz? Será que não dou para me sentir bem ou mesmo útil? Pelo que posso perceber, nesta natureza tudo está em estado de alto-cooperação. Estamos cooperando com as plantas dando-as o gás carbônico e, elas cooperando conosco dado-nos o oxigênio.

Edson Carmo

Lumenamena disse...

Edson Carmo,

Concordo plenamente consigo.
Nós damos aos outros e a nós próprios, para nos sertirmos bem.

Um Bem Haja,
Lumena