14.7.09

Acabou-se a Solidão


Os homens não admitem fácilmente a solidão, mas podem ser os mais afectados por ela
O drama da nossa época é o de que quanto mais possibilidades de encontro a cidade oferece, desde contactos da Internet a anúncios, mais sozinhas as pessoas se sentem e, mais difícil se torna a possibilidade de estabelecerem uma relação profunda. Apesar de tudo, talvez nunca tenha havido uma procura afectiva tão intensa como agora. Parece evidente que a solidão surge associada a estados de tristeza, falta de afecto e negativismo.
Quando desaparece da nossa vida alguém que ocupava um espaço importante, somos invadidos por uma sensação especial de desamparo. Ao não conseguirmos eliminar, poderá constituir um obstáculo para criarmos novos vínculos com outras pessoas. Com a passagem do tempo, o medo de ser rejeitado aumenta e perdemos a confiança em nós próprios, e erguemos um "muro" protector à nossa volta. Apesar de tudo, resolver esta situação pode ser mais fácil do que parece, e os melhores resultados são obtidos quando se conhece alguém através de amigos.
A solidão não é, porém, um fenómeno dos adultos. As crianças também não são insensíveis a ela.
Um jogo de máscaras quotidiano
Não gostamos de admitir que estamos sozinhos e, para o evitar, utilizamos estratégias, como se fossem máscaras, que ocultam o nosso estado interior e aliviam a nossa própria nostalgia.
O altruísmo e o sentimento de ser útil tem, por vezes, mais a ver com a solidão do que com um autêntico compromisso. Estas pessoas costumam acabar por admitir que estão sempre a ocupar-se dos outros, mas que ninguém se preocupa com elas.
Lumenamena

5 comentários:

A Flor do Sul عبد الحكيم زهرة الجنوب disse...

A solidão me derrubou agora. Acho que eu deveria ter sido menos negativo, mas era difícil ver qualquer coisa com o sol sempre se escondendo de mim.
Se tu ès feliz ( e eu sinto isso), não te esquives jamais da felicidade.
Continues a ser essa pessoa doce que tu sempre fostes. Estás de parabéns. Precisa o mundo de gente como tu.
Adeus.

Lumenamena disse...

Hakim - Não posso acreditar no que estou lendo.
Estás simplesmente a viver um momento difícil. Acredita que superarás essa solidão, e nada te poder derrubar.
O sol se esconde, mas continua a brilhar sempre, deixando a sua marca no teu rosto, no teu olhar, como a te fazer lembrar, que está em algum lugar, para te resguardar.
O sol do amor voltará a brilhar para ti.
Volta sem dor, sem mágoa e a felicidade está ao alcance de todos, de TI também.

Um Beijo
Lumenamena

KrystalDiVerso disse...

A solidão!... Há também a aparente solidão!... Talvez não deixe de ser uma solidão como outra qualquer pela indução a ela mesma!... Começa-se por experimentar e acaba-se fechado nesse casulo tecido por fios invísives de timidez, de vergonha, de rejeição e incapacidade pessoal de lidar com alguns problemas de ordem afectiva e, geralmente, Amorosa ou passional; a entrega incondicional da Alma ao(à) responsável involuntário, que elegemos como nossos salvadores únicos!... Tentamos a corrupção dos sentimentos, a chantagem emocional ou, até, o apelo da comiseração, da pena e não nos importamos do dó que nos possam dedicar, com o inabalável intuito de ser acolhido(a) nos barços de quem Amamos! Pode ser a VIDA, pode ser a MORTE, pode ser toda uma SOCIEDADE que parece rejeitar-nos, pode ser nossa admirável mente a pregar uma das muitas partidas com que nos presenteia em muitos "lapsos" da nossa vida e, enquanto lapsos, rezamos para que o sejam em toda a sua plenitude e, deles, nada reste em nós!... Admiráveis lapsos, os de memória, que ficam gravados em nós para que não os esqueçamos, concedendo-nos a admirável escolha de outros caminhos bem mais saudáveis!...
Fosso profundo, onde a penumbra nos pode envolver em abraços de escuridão como se cada abraço seja mais um fio, mais uma "borboleta" que tece o casulo que nos envolverá!... E nós tentamos ignorar esssa realidade que afecta os outros, o nosso semelhante, o nosso vizinho, o nosso amigo, o nosso familiar!... Ou não... e se assim for, isso é... Admirável!


Escolha entre... beijos e abraços

Lumenamena disse...

KrystalDIVerso - Sim, o seu raciocínio é perfeito.

Sentir-se só, não é apenas quando se está isolado ou longe de tudo e de todos. Tem a ver com algo mais, ou seja, para além da solidão que a conhecemos.
Penso que toda a gente um dia pelo menos já passou por isso: sentir a falta inata de alguém, ou de alguma coisa, e não saber dizer exactamente pelo o que é.
Mais ou menos isto: do que eu gosto não existe. Mas o sentimento de solidão está relacionado com algo que existe, mesmo que na nossa mente, seja abstracto.
Poderá ser orgulho, ou mesmo medo?

Um abraço,
Lumenamena

Observer disse...

Confesso que este post... Bem... As pessoas realmente vivem cada vez mais afastadas umas das outras... Mas a solidão que invade as pessoas hoje em dia é diferente de tudo isso. Não são faltas de convivência ou de confiança... São meramente mascaras de apresentação...

Pelo que conheces de mim já percebeste de certo que treinei muito isso... Sabes apenas o que mostro que sou e tudo o que mostro tem presente um objectivo para lá estar... Os vazios em mim deixados não criaram murros mas sim novos horizontes... Formas de nao ocultar mas sim esquecer tudo o que sou... Não o faço por medos de rejeição mas sim porque se me lembrar de quem sou a solidão virá atrás... A escuridão contra a qual tanto luto para afastar virá... Mal ou Bem não interessa tudo o que eu fizesse seria para provar apenas que o conseguiria fazer... Chegaria mesmo a ser um ser livre de éticas... E no entanto um solitário do mundo...

Onde quero chegar com isto é que ao contrario do que se pensa as pessoas por vezes quando erguem murros não é para se protegerem mas sim para protegerem todas as outras pessoas... Proteger todas as pessoas de uma pessoa que perdeu qualquer tipo de consciência...

Termino apenas dizendo que tenho quase a certeza que por esta altura dizes que é impossível perdermos a nossa consciência... E eu digo-te desde já que quando o mundo nos tira tanto mas tanto... As vezes simplesmente não queremos saber o que tiramos do mundo.