
Ser um pouco impulsivo não faz mal a quem pretende ter êxito na vida. Mas há uma impulsividade patológica que pode levar-nos ao inferno.
Sou muito impaciente, gosto de actividades, em que o risco é palpável, não suporto o tédio e, para não cair nas suas malhas, procuro insistentemente sensações novas e excitantes. Além disso, tenho uma mente inquieta que me induz a tomar decisões rápidas, pouco pensadas e sem pesar as consequências para mim e para os que me rodeiam. Procuro que as minhas acções tenham sempre uma recompensa imediata. Não me considero uma pessoa perseverante, tenho mudanças de humor e, frequentemente reajo com agressividade.
Se o leitor se vê reflectido nesta descrição, é seguramente uma pessoa com carácter ou com um estilo de vida impulsivo.
Normalmente a impulsividade tende a ser considerada uma característica negativa e, esquecemo-nos que ela desempenha um papel importante no comportamento normal das pessoas.
O homem é impulsivo por natureza, de certa forma, tem a impulsividade impressa na sua herança genética. Na actual sociedade competitiva, estes valores estão mais vigentes do que nunca. A imagem do executivo agressivo, capaz de tomar decisões com rapidez, constitui uma garantia de êxito, sempre que essa conduta represente opções vantajosas para o negócio. E as pessoas que se deixam levar com habilidade pelos seus impulsos e intuições, aparentemente de modo irreflectido, são admiradas socialmente. A impaciência, o gosto pelo risco, a preferência por recompensas imediatas, a diminuição da capacidade de análise das consequências de uma acção, a procura de prazer e a agressividade traçam o perfil do comportamento impulsivo.
O aumento dos comportamentos impulsivos na sociedade ocidental tornou-se um dos problemas sociais mais alarmantes, já que surgem associados a condutas violentas ou anti-sociais. As pessoas afectadas pelas perturbações puras da impulsividade, manifestam episódios sucessivos de agressividade verbal e física desproporcional aos acontecimentos que os desencadearam.
Sendo assim, porque será que perdemos o domínio sobre os nossos actos e pensamentos?
Que papel desempenha o cérebro?
O impulsivo nasce ou faz-se?
Lumenamena
