
Será a ambição um produto da cultura, ou estará apenas no ADN de alguns?
Donde virá a determinação que conduz ao êxito?
O que incentiva o desejo de chegar o mais alto possível no âmbito profissional?
Por que razão algumas pessoas persistem sempre e continuam a ultrapassar limites, embora já tenham praticamente alcançado o topo?
Será o prestígio social um dos estímulos que alimentam esse sentimento?
Terá a competição a ver com a herança genética de cada pessoa?
A verdade é que nem todos manifestam o mesmo espírito de concorrência. Alguns consideram que se trata de um desejo legítimo de progressão. Para outros, não passa de um sentimento pouco saudável e que deveria ser refreado.
A origem poderá residir numa infância traumática. Alguns especialistas sugerem que as causas poderão ser genéticas ou culturais; outros acreditam que os factores determinantes são os psicólogos, familiares e sócio-económicos. Poderá um trauma infantil desencadear, de forma inconsciente, a ambição. Outros especialistas acreditam que a ambição está vinculada à noção do "eu", um desejo intenso e profundo que exerce pressão sobre o indivíduo para que tenha êxito. Parece evidente que tanto os factores mentais como familiares são importantes na configuração do carácter de uma criança ambiciosa.
Parece lógico também pensar que a preocupação com o êxito tem raízes no processo evolutivo das espécies. Muitos animais estabelecem hierarquias mal nascem. As crias dos lobos já se dividem em duas categorias, designadas por "alfa" (superiores) e "beta" (inferiores). Os alfa ocupam sempre os melhores lugares para mamar; a posição dominante leva a que se tornem mais fortes e irá conduzi-los à liderança. Os beta, pelo contrário, quase não têm crias e morrem antes dos alfa.
Se aceitarmos que a ambição é produto da evolução, compreenderemos por que motivo existem pessoas que nascem com a ideia de conquistar o mundo, e outras que deixam simplesmente passar as oportunidades. Por vezes, no entanto,essa determinação não é de origem psicológica mas social, pois ser ambicioso poderá ser, consoante o ambiente cultural ou religioso em que se cresce.
Por exemplo, segundo a lei do Dharma, os hindus não devem procurar melhorar a sua condição social ou económicas, mas viver de acordo com o destino, submetendo-se à ordem universal.
Há uma frase de Cristo que define a posição do catolicismo em relação à ambição: "Bem-aventurados os últimos, pois serão os primeiros". Assim, a Igreja católica diz aos fiéis que não devem alimentar o desejo de acumular bens materiais.
A ambição não é necessariamente algo de mau, pois, de facto, corresponde muitas vezes a um louvável desejo de prosperar ou o anseio de querer melhorar de nível de vida. O lado negativo, verifica-se quando se reduz a própria existência destinada a alcançar, a qualquer preço o poder, a fama ou a riqueza.
Lumenamena




