6.10.09

Para Que Serve a Ambição?


Determinação, confiança e vontade de vencer.

Será a ambição um produto da cultura, ou estará apenas no ADN de alguns?
Donde virá a determinação que conduz ao êxito?
O que incentiva o desejo de chegar o mais alto possível no âmbito profissional?
Por que razão algumas pessoas persistem sempre e continuam a ultrapassar limites, embora já tenham praticamente alcançado o topo?
Será o prestígio social um dos estímulos que alimentam esse sentimento?
Terá a competição a ver com a herança genética de cada pessoa?

A verdade é que nem todos manifestam o mesmo espírito de concorrência. Alguns consideram que se trata de um desejo legítimo de progressão. Para outros, não passa de um sentimento pouco saudável e que deveria ser refreado.
A origem poderá residir numa infância traumática. Alguns especialistas sugerem que as causas poderão ser genéticas ou culturais; outros acreditam que os factores determinantes são os psicólogos, familiares e sócio-económicos. Poderá um trauma infantil desencadear, de forma inconsciente, a ambição. Outros especialistas acreditam que a ambição está vinculada à noção do "eu", um desejo intenso e profundo que exerce pressão sobre o indivíduo para que tenha êxito. Parece evidente que tanto os factores mentais como familiares são importantes na configuração do carácter de uma criança ambiciosa.
Parece lógico também pensar que a preocupação com o êxito tem raízes no processo evolutivo das espécies. Muitos animais estabelecem hierarquias mal nascem. As crias dos lobos já se dividem em duas categorias, designadas por "alfa" (superiores) e "beta" (inferiores). Os alfa ocupam sempre os melhores lugares para mamar; a posição dominante leva a que se tornem mais fortes e irá conduzi-los à liderança. Os beta, pelo contrário, quase não têm crias e morrem antes dos alfa.
Se aceitarmos que a ambição é produto da evolução, compreenderemos por que motivo existem pessoas que nascem com a ideia de conquistar o mundo, e outras que deixam simplesmente passar as oportunidades. Por vezes, no entanto,essa determinação não é de origem psicológica mas social, pois ser ambicioso poderá ser, consoante o ambiente cultural ou religioso em que se cresce.
Por exemplo, segundo a lei do Dharma, os hindus não devem procurar melhorar a sua condição social ou económicas, mas viver de acordo com o destino, submetendo-se à ordem universal.
Há uma frase de Cristo que define a posição do catolicismo em relação à ambição: "Bem-aventurados os últimos, pois serão os primeiros". Assim, a Igreja católica diz aos fiéis que não devem alimentar o desejo de acumular bens materiais.
A ambição não é necessariamente algo de mau, pois, de facto, corresponde muitas vezes a um louvável desejo de prosperar ou o anseio de querer melhorar de nível de vida. O lado negativo, verifica-se quando se reduz a própria existência destinada a alcançar, a qualquer preço o poder, a fama ou a riqueza.
Lumenamena

14 comentários:

Diogo Rugeiro disse...

Decerto não será somente a determinição que conduzira a um eventual exito. Quantos seram aqueles, que apesar de uma determinação solida não a alcanção? Quantos seram aqueles, que devido ao seu sentido de determinição, pecaram, ao não preceber a insolvencia em que mergulharam, com um optimismo cego?
A unica questão, que vejo directamente abordada nas questões que colocas, inicialmente, será, quais as experiencias, que mais promovem um sentido de determinição, durante a evolução do jovem, desde a mais tenra idade!

Lumenamena disse...

Certamente que a tua conclusão é determinante. A experiência é importante, e várias são as perspectivas que procuram explicar os níveis de desempenho.
Determinados talentos apenas se desenvolvem perante a presença de um conjunto específico de traços, considerando que esse conjunto pode ser diferenciado para cada domínio. Por sua vez, não se considera suficiente a existência de um talento inato, pois que este terá que ser necessáriamente trabalhado, e de forma adequada, a fim de permitir o seu crescimento. Os traços genéticos não se manifestam todos à nascença, desenvolvendo-se sobretudo mediante uma trajectória de cariz maturativa.

Abraços,
Lumena

Diogo Rugeiro disse...

Sim, isso tudo faz parte da teoria, e aqui tambem, o tal livro, "O Cisne Negro" é bastante aplicavel, pois esses traços, podem caracterizar os "líderes" e "prolposores da modernidade", os "genios"... e, de certo modo, os afortunados!

Ironicamente, sinto na minha pessoa, um genero de sentido de pertença, que não se baseia na realidade das coisas, mas do sentido que tenho de que poderia alcançar. Posso falar nela de outros termos, mas tenho noção do que são, apesar do que possa aparentar.

Uma das "questões" é meramente tentar assegurar uma posição "enquadrada" dentro do tabuleiro do jogo.... E ver o que os "dados" reservam no fim!

Adbul Hakim Phool ka Junoobi عبد الحكيم پھول کی جنوبی disse...

Ah, meu bom Allah! Vós entrais num nível tão alto de discussão, que tenmho até vergonha de dar a minha opinião.
Hummm, vejamos... sempre fui dos que pensam que, em se tratando de psicologia, o instinto de poder define melhor o ser humano que o impulso sexual. Jung, e não Freund, é que está com a razão!
Mas não sei se falar sempre em ADN ou no Zodíaco é uma boa idéia, pois na medida do possível, o homem se faz, não é algo que já vem feito, definido, que se possa dizer que caminho vai tomar.
Claro que, se tu fores a Mumbay ou a Kolkota, na Índia, verá que não é como São paulo ou Nova Iorque, onde a desigualdade social às vezes gera revolta e até criminalidade, já que a religião hinduísta incentiva o indivíduo a aceitar o seu destino. Nesse ponto tu estás muito correta.
Eu fico pensando também, por vezes, até que ponto uma pessoa pode chegar... Penso em Napoleão: vejam só, nasceu numa ilha e conquistou um continente quase inteiro! Até a língua e o nome ele trocou, conforme se tornava importante!
Me fascina a idéia de começar do zero, e nem todo mundo aprova isto em mim. Mas ambição mesmo, forte, não sei se tenho. A verdade é que vejo que tem muita vida dentro de mim, muito desejo, muita força que é contida nem eu sei até que ponto; mas, por exemplo, nunca me peguei admirando as vitrinas das lojas, querendo comprar aquelas coisas caras, nem faculdade eu penso em fazer, a não ser é claro se fosse filosofia, ou história, ou francês e quem sabe alguma língua do oriente médio ou da Europa do Leste - enfim, essas coisas que não dão dinheiro de jeito nenhum.
A única coisa que busco nas vitrinas, é o meu reflexo. Sei que sou vaidoso com a aparência, e esta sim é uma maneira de projetar o meu eu. Talvez algo cultural também, pois os muçulmanos dão muita importãncia á forma e ao ritual. O detalhe sempre é importante.
Será normal desprezar tanto assim o desejo de poder? ou será que o desejo de poder se manifesta de formas diferentes em cada pessoas?
Não sei. Só agora, te lendo, é que essas questões me vêm á mente.

Lumenamena disse...

Abdul Hakim,

Toda a opinião é importante e ninguém se deve sentir menos capacitado, para debater sobre os temas, aqui expostos.
Entraste e muito bem, Hakim!
Quanto ao poder, quem o tem o possui, mas, na verdade o poder subsiste em cada um de nós.
Tendo também a capacidade de o tornar possível!
Por exemplo: tu crias poesia, és artista, e artista é ser amante. É ter poder. Descreves tudo o que queres, o que podes realizar.
Mas, atenção: Querer não é poder, quem quer às vezes não pode.
Portanto, só existe poder onde existe vontade.

Um bem haja,
Lumena

Carlos Bayma disse...

Por estranho que pareça, ambição e cobiça movem e moveram a economia, as artes, as ciências, os relacionamentos e tantas outras coisas. O problema está quando esses atributos ficam sem controle e passam a ser desmedidos.

Lumenamena disse...

Carlos Bayma,

Exactamente, o que há de negativo é precisamente quando esses atributos passam a ser desmedidos.
Pode-se analisar em todos esses relacionamentos, quando esses sentimentos são expostos pelos líderes sem equílibrio emocional ou auto-conhecimento. Básicamnete a atitude mental está por trás de tudo, ficando sem controle.
O objetivo maior do ser humano era sair da inconsciência para a consciência, da razão para a intuição, do ter para o ser? Será possível tornar o nosso mundo melhor, ou tornar-mo-nos pessoas melhores adquirindo solução em apegar-mo-nos apenas aos prazeres deste mundo e ignorar a riqueza maior que existe dentro de cada um de nós? À medida que os homens vão tomar consciência do valor desses atributos, poderão deixar a doentia preocupação com as aparências, a frustração crônica causada pela busca incessante da fama, do poder e da riqueza, ou seja, das promessas do mundo superficial e perceberem o quanto se torna importante aproximarem-se da essência.
Naturalidade, tão frequentes nas crianças, mas que infelizmente os adultos estão a perder ao criar tantas defesas e máscaras, e assim se distanciam do que é verdadeiramente valioso.

Um Bem Haja,
Lumena

Lumenamena disse...

Diogo Rugeiro,

Tive oportunidade de ler algumas passagens do livro "O Cisne Negro", e pergunto:
Porque razão os homens nunca tiveram consciência do fenómeno dos cisnes negros, antes da sua ocorrência?
Será que somos incapazes de avaliar verdadeiramente as oportunidades, e não sermos suficientemente abertos para conseguirmos ter imaginação para o impossível?

Ficam aqui estas duas questões, que penso serem muito importantes.

Grata,
Lumena

Diogo Rugeiro disse...

Em parte tambem tem haver com o segundo comentario que fiz neste mesmo post... Até que ponto que a minha prespectiva é "tola"?!
Suponho que vas compreender o paralelismo que me refiro.

Edson Carmo disse...

Abaixo do nível da iluminação todos são ambivalentes, um tipo de mimetismo complexo. Neste nível o ser humano tem a idéia de usar a faca para cortar o peixe, mas também para matar aquele que lhe insulta. A ambição é uma ferramenta que pode ser usada tanto pelo governo do bem como pelo governo do mal. O camaleão tanto pode ficar verde como cinza, mas a borboleta não pode voltar a ser uma lagarta – e isso é transformação, metamorfose. Na iluminação não existe ambição; o iluminado já chegou, já alcançou – agora sua vida não terá meta, mas certamente criará conseqüências. Se estou fazendo o bem hoje, mesmo que não tenha uma ambição, mesmo que não tenha um objetivo, estarei criando o bem do amanhã. Isso é tudo!

Edson Carmo

Lumenamena disse...

Edson Carmo,

Sim, frequentemente na sociedade se observa o mimetismo.
Veja o seguinte, até é possível ser-se ambicioso sem prejudicar ninguém, mas, os seus efeitos inversos, prejudicam não apenas a pessoa movida pela ganância, como também para um grupo muito maior de pessoas, aqui percebemos claramnete a total ausência de ética face à análise das repercussões.

Abraços,
Lumena

Edson Carmo disse...

Lumena

Ambição é uma espécie de fome, uma falta. Se estou com fome e me falta comida, a quem posso alimentar? Se o meu mundo interior não está resolvido, então como posso resolver algo no mundo exterior? A ambição é sempre o desejo pelo que não se tem, e quando não se tem, o que se pode dar? Os que têm podem fazer algo, não os que ambicionam. Quando se tem não existe nenhuma ambição, simplesmente porque não se ambiciona aquilo que se tem.

Edson Carmo

Jose Ramon Santana Vazquez disse...

... ...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazon
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...


desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ


TE SIGO TU BLOG:
AMORALYA




CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesia ...


AFECTUOSAMENTE
AMORALYA




jose
ramon...

Lumenamena disse...

Hola, Jose Ramon,

Una bella poesía.
Muchas gracias.
Venirse de nuevo, Jose Ramon!

Saludos,
Lumena