12.10.09

Onda Divina


A religião é tão antiga como o ser humano e envolve o que nós temos de mais emocional, mas ainda não tem uma explicação concreta.

Se é complicado definir o que significa o cristrianismo, definir religião é ainda mais complicado. Talvez muitos estejam de acordo com esta definição de dicionário: "Culto prestado à divindade através de um conjunto de dogmas, preceitos, práticas e rituais pelos quais se manifesta essa crença." Porém, à partida, o budismo, o jainismo, o taoísmo, o confucionismo e algumas formas de hinduísmo, onde não existe uma divindade personalizada, mas uma realidade impessoal. Foram muitas as tentativas para encontrar uma definição válida e aceitável, mas não tiveram grande êxito.
Tantos fracassos levaram alguns especialistas a considerar que o conceito de religião constitui uma criação académica. Outros, interrogam-se se será realmente preciso que tenha limites precisos, incluindo no campo do religioso o marxismo, o nacionalismo (que possui o conceito sagrado de pátria), a psicoterapia, os desportos (extremamente ritualizados), os centros comerciais (locais de devoção da sociedade consumista), ou a bolsa de valores.
A existência do mal, de modo geral, faz-nos reflectir, preocupam-nos mais as calamidades particulares. Um exemplo: Um dia, o telhado de uma casa, desabou sobre uma pessoa e a população da povoação, relacionaram rapidamente o incidente com um caso de bruxaria. O que estava em causa eram as térmites que tinham sido as verdadeiras responsáveis, ao devorar a madeira da cabana de adobe. Um dos habitantes disse que já sabia disso, mas que gostaria de ver explicado era o motivo pelo qual o telhado desabara no preciso momento em que o pobre homem estava sentado lá dentro, e não um pouco antes ou um minuto depois. A fé poderá mover montanhas, mas resiste muito pouco às desgraças pessoais.
Claro que todas as religiões que prometem a salvação das almas aos seus fiéis têm de garantir, primeiro, a imortalidade, apesar de nós, seres humanos, não sejamos imortais. Então, para que serve Deus?
O crente tem de ter fé: É possível haver religião sem ela?
A maior parte das pessoas não está interessada em saber o que nos fez seguir uma doutrina religiosa. Herdamos, simplesmente, as nossa crenças, frequentemente contraditórias, de pais, familiares e amigos. Precisamos de crêr e não sabemos por que motivo. A única coisa certa é que não podemos, ou não queremos, explicar o "salto da fé". É tão difícil de entender como, para a Ciência, compreender a essência de um fotão.
Lumenamena

16 comentários:

Jenifer&Jerferson disse...

Querida Lumenamena,

adoro seu blog. Muito! Gosto da maneira como escreve e como suas palavras me tocam!

Jenifer

Lumenamena disse...

Jenifer,

Obrigada pela visita e me apràz dizer que as palavras são o código do pensamento. Tudo o que pensamos é traduzido em palavras. Na verdade, pensamos a falar para nós mesmos, em auto-conversas ou diálogos internos. As palavras que usamos têm tanta significação para nossa mente.
Já pensou sobre a força das palavras? Na força negativa e positiva? Sim, afinal, as palavras podem libertar e oprimir, alegrar e entristecer, fazer viver e fazer morrer, aliviar e angustiar, rir e chorar, incentivar e esmorecer, amar e odiar e assim tantas coisas mais.

Grata,
Lumena

Adbul Hakim Phool ka Junoobi عبد الحكيم پھول کی جنوبی disse...

Também gosto da forma como escreves.
Religião sempre é um tema delicado, não é mesmo? Mas é uma necessidade das pessoas acreditar, crer em algo, não importa em que. Tanto é assim que as ideologias que substituiram a religião se apropriaram dela em muitos sentidos, incutindo nas pessoas novas crenças, algo aseguir.
Explicar essa nossa necessidade de crer não é fácil, mas ela é óbvia. Talvez por precisarmos explicar a vida, por ordem onde não há ordem. Eu estava a ler o livro "As 48 leis do Poder', de Robert Green, e lá ele até diz que para se ter sucesso é preciso explorar essa necessidade nas pessoas em quem se deseja manipular1 totalmente maquiavélico, é verdade, mas até que faz sentido, ao que me parece.
Tem tantas religiõs, tantos sistemas de crença e tentativas de explicar a realidade à qual pertencemos, que parece impossível compreender tudo isso. Eu, porém, posso ver que tudas tem traços muito semelhantes. É a maneira como tentam se impor, por bem ou por mal, como tentam se fazer crer. não há mal nisso, a não ser se for usado para ferir alguém. Todo sofrimento é desnecessário, e a religião serve primeiro de tudo para tebtar nos livrar dele.

Carlos Bayma disse...

Tem prêmio para seu blog.
Passe em http://koyaanisqatsi-cb.blogspot.com/2009/10/premiacao-de-blogs.html para recebê-lo.
Parabéns!
Carlos Bayma

Lumenamena disse...

Abdul Hakim,

Sim, religião é um tema muito delicado para se abordar.
Mas, também muitas vezes a religião parece fundir-se com as próprias estruturas políticas e sociais de um grupo ou nação, estabelecendo as suas regras. É o caso da Índia, onde a organização social, o sistema de castas, é regido pelas leis do hinduísmo.
Geralmente, a religião é um instrumento para trazer paz e satisfação mentais e o conforto mental mediante uma determinada fé. Muitos concordam na necessidade de uma forma secular para se alcançar a paz mental.
Mas, se falarmos na maneira de se alcançar a paz mental através da fé, então há duas categorias de religião: a fé sem filosofia e a fé com filosofia.
O livro "As 48 leis do Poder", não é um livro de auto-ajuda. O leitor aprende a manipular pessoas e situações para alcançar os seus objectivos. E descobre por que alguns conseguem ser tão bem-sucedidos, enquanto outros estão sempre a ser passados para trás.
Com isto tudo, eu respeito a crença de cada um.

Fica bem,
Lumena

Lumenamena disse...

Carlos Bayma,

É com enorme alegria, que vou colocar o prémio que oferece ao meu blog.
Muito obrigada.

Um Bem Haja,
Lumena

ElmaCarneiro disse...

Bom dia Lumena
A religiosidade é inerente no ser humano. Onde não há um deus, eles o criam.
Sou agnóstica, mas acredito que a religião é importante desde que não seja guiada pelo fanatismo. Acontece também, que a maioria dos lideres religiosos passam a usar das pessoas em razão de sua fé e isso é notório.
Pessoas, a quem a sua vida quotidiana parece demasiado vazia e monótona, tornam-se facilmente religiosas: isso é compreensível e perdoável; simplesmente, elas não têm direito de exigir religiosidade daqueles para quem a vida quotidiana não decorre vazia e monótona.
Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'
”.
Parabéns pelo blog com temas interessantes e que nos convidam a interagir com nossos pontos de vista.
Beijooo

Lumenamena disse...

Olá ElmaCarneiro,

Friedrich Nietzsche, filósofo que mergulha nas realidades eternas e regista o conceito de espírito livre, ou seja, para aquele que pensa de forma diferente do que se se espera do homem do futuro.

Um dos excertos do livro:

"Quanto menos os homens estiverem condicionados pela origem, tanto maior será o movimento interior de seus motivos, tanto maior por sua vez, em decorrência, a agitação exterior, o envolvimento dos homens entre si, a polifonia de seus esforços."

O homem precisa descobrir-se como Humano, Demasiado Humano.

Beijos,
Lumena

Adbul Hakim Phool ka Junoobi عبد الحكيم پھول کی جنوبی disse...

Certamente! Ainda não descobrimos o quão humanos, demasiado humanos nós somos... a não ser, talvez, no Holocausto.
Taí um exemplo daquilo que tu me respondeste, de que muitas vezes a religião se mescla com as estruturas político-sociais de um lugar. Sabemos que os judeus foram exterminados em grande medida pelos algozes nazistas seguidores das doutrinas totalitárias de Hitler, e este extermínio foi o resultado de séculos de discriminação e não aceitação deles por parte dos povos europeus, inicilamente movidos ao ódio devido ao incentivo de seus líderes religiosos. é como disse a tua amiga Elma carneiro, que a religião é importante, mas não deve dar em fanatismos.
Acho muito fixe não só a tua opinião, aquilo que tu dizes, como também o fato de que tu responndes aos comentários recebidos. Esse diálogo é muito interessante. Sempre passo por aqui, mesmo quando nada tenho a dizer, por falta de ser algo de valia.
Parabéns.

Rener Brito disse...

A religião é o véu que impede as pessoas de terem acesso a Deus, dão um leve deslumbre de quem é Deus só para mostra o tamanho do poder que tem nas mãos.
E com isto atrair adeptos para os iludir e os fazer crê que Deus estar a serviço dela, só para que eles percebam a onde deve ir para saciar a sua sede de Deus e tornarem o sonho do perdão, da liberdade e do céu, real em suas vidas.


Sem perceber estar no caminho errado os homens a seguem pensando conseguir o perdão, a liberdade e o céu, como senhor de Deus, e não como servo.


Por isso muitos sentem a necessidade da religião, por entender que Deus estar a serviço dela – quando na realidade O criador nunca serviu e nunca servira a sua criação – pois a sua gloria Ele não divide com ninguém.

Ansiosa para ser glorificada a religião constrói o muro do partidarismo ao seu redor tornando os seus adeptos frios no amar.

Agora cada religioso com os óculos da sua religião que os fazem perceber Jesus da sua ótica religiosa ficam isolados pelo muro do partidarismo, lutam entre si tentando mostra a todos o gral de servidão que Deus tem para com a sua religião.

Lumenamena disse...

Adbul Hakim,

Sim, a religião é importante, mas vejamos, o seu problema não é a "fé", mas sobretudo a inquestionalidade do seu método, ou seja, jamais se usa o diálogo ou debate de ideias.
Hitler usou da inteligência para inventar e administrar a "solução final" contra os judeus, e antes de ser este um facto criminoso, era mais uma exigência do seu próprio psiquismo.
É curioso observar que ontem os judeus se agarravam ao sacrifício do holocausto, de que eram vítimas, mas hoje a ultra direita israelita, no poder, parece resgatar dos nazistas essa terrível ideia da "solução final", contra os palestinos.
Há um antigo provérbio chinês, que retrata essa ideia: "Quem lutou muito contra dragão, também vira dragão".
Obrigada!

Lumena

Lumenamena disse...

Rener Brto,

A humanidade gosta de manter ao seu lado um denso véu, onde ela pode esconder aquilo que não gosta. Mesmo que a violência e a intolerância existam em todos os círculos, a religião tem assumido a culpa pela maioria deles.

Um Bem Haja,
Lumena

Rener Brito disse...

A grande problemática é a institucionalização da fé por homens embriagados pela concupiscência e a soberba da vida, e que tem como Deus, um deus psicológico que não passa de uma projeção produzida por sua embriaguês - tendo como referencia uma igreja barreta e geográfica e não em pessoas.

Creio em uma igreja e não em uma instituição ou uma organização, mas em uma Igreja que é um organismo vivo em unidade e comunhão e entre os que nasceram de novo pro meio dos ensinos do mestre Cristo, e que são unidos pelo o poder do (Espírito Santo-AMOR).

Edson Carmo disse...

Religião é o fenômeno que liga a criatura ao seu Criador. Pseudo-Religião é o fenômeno onde a criatura cria o seu criador. Pseudo religião é o que temos visto: um movimento onde chamam seu criador/criado de deus, senhor e o tratam como servo. Essa é a falsa religião! Esse fenômeno possui pelo menos três tipos de deuses: deuses psicológicos; deuses históricos; e deuses “religiosos” – tudo criação dos homens que não podem estar ligados a outra coisa que não seja a eles mesmos.

A verdade é Deus. O homem para penetrar na verdadeira religião precisa colocar de lado a mente ordinária e tomar de volta a mente extraordinária. Fomos expulsos do Éden porque acreditamos em uma mentira; acreditamos que o conhecimento do bem e do mal nos faria conhecer melhor Deus. Esse conhecimento venenoso penetrou em nossas mentes, criando nela a estrutura de tudo que sabemos hoje. Com este veneno na cabeça, só enxergamos aquilo que acreditamos – o nosso conhecimento. E o que conhecemos? Mentiras, basicamente mentiras. Este é toda a estrutura da pseudo-religião!

Agora só há um jeito do homem se tornar verdadeiramente religioso, é dissolver tais mentiras é desaprender tudo o que aprendeu sobre Deus. Quando desaprendemos nossa inocência volta, então podemos ver o reino de Deus. É por isso que Jesus disse em algum lugar: “Aquele que não se tornar semelhante a uma criança, não pode ver o reino de Deus.”

Deus é amor, e o amor não é Budista, nem Hinduísta, nem Jainísta, nem Católico, nem Protestante. O Amor não é uma invenção do homem, mas o acontecimento de Deus no homem. Quando o homem ama ele se torna verdadeiramente religioso, então ele fatalmente está ligado a Deus.

Edson Carmo

Lumenamena disse...

Rener Brito,

"A grande problemática é a institucionalização da fé por homens embriagados pela concupiscência e a soberba da vida, e que tem como Deus, um deus psicológico que não passa de uma projeção produzida por sua embriaguês - tendo como referencia uma igreja barreta e geográfica e não em pessoas."

Concordo plenamente com este pensamento.
Pena seja que os homens, ou seja, a humanidade faça da sua fé uma institucionalização, o que não posso aceitar, na medida em que deveria ser uma comunhão interiorizada, somente para ela própria.

Um Bem Haja,
Lumena

Lumenamena disse...

Edson Carmo,

Seu comentário é excelente.

Obrigada,
Lumena