11.11.09

Caras Novas, Medos Velhos

Drogas Inteligentes e Escarificações

Nas sociedades modernas as portas fecham-se a quem procura sensações extremas e leva essas pessoas a explorar caminhos novos para chegar ao mesmo sítio.
Quais são essas tendências?
Oferecem alguma resposta?
Todas as sociedades têm normas implícitas que dizem como se deve ser normalmente, mas não nos damos conta de até que ponto as culturas ditam como temos de ser quando não somos normais.
Por exemplo, em todas as culturas existem experiências alucinatórias que são consideradas desejáveis ou normais. A ketamina uma droga sintética consiste em dissociar o corpo da mente, provocando alucinações muito poderosas. Atinge-se o chamado “buraco-k”, onde se descobre a imortalidade, se conversa com extraterrestres ou se marca com luzes de néon o caminho até Deus. O efeito, sedativo e lúcido, suscita pensamentos existenciais. Deixam de ver o local em que se encontram em apenas dois minutos e sentem marteladas nos ouvidos: é o prelúdio da entrada num outro mundo ao qual se chega através de uma passagem subterrânea ou de uma conduta situada precisamente a meio do universo. A saída não é mais do que a Luz, experiência próxima da morte. A libertação de ketamina na hora da morte é um mecanismo de emergência, genéticamente programado para nos ajudar a ultrapassar o pior momento da vida.
Mutilar-se, provocar dor em si mesmo ou mudar o corpo através de uma intervenção dolorosa sempre se fez. Hoje, integra uma certa modernidade, em que o piercing na língua, nos genitais, ou a língua bífida: partir a língua em duas, ou seja, a língua de serpente como atractivo erótico.
O mesmo acontece com as escarificações: o aspecto de uma área de pele viva, revela o verdadeiro interior de uma pessoa. Entra a bioquímica, que faz libertar naturalmente endorfinas para atenuar a dor.
Vive-se num mundo à parte, em que física e psicológicamente estão preparadas para começar a delirar, e afasta-se do pensamento racional. O lado obscuro nunca desaparecerá. Mudam-se as imagens, permanecem as narrativas, o fundo será sempre o mesmo: abertura a novas experiências.
Teremos necessidade do obscuro?
Talvez seja esse o risco: apenas encontrar a escuridão.

Lumenamena.

7 comentários:

Edson Carmo disse...

Lumena,

Não estou respondendo as perguntas, não estou utilizando seqüência lógica. Não sou politicamente correto, portanto segue o que tenho a dizer sobre o que li:

O universo é escuridão, um infindável vazio que congrega luz/energia/matéria/... Observe na planta de uma casa um quarto. Ele é o espaço, o quarto, mesmo quando não há mobília! A mobília vai entrando, o espaço vai sendo ocupado, mas o vazio está ali, para onde ele iria? Assim, o quarto é o vazio, não a mobília. Um ambiente quando está escuro e recebe luz, a escuridão não está ausente. A questão é que a luz é quem nos faz perceber, não a escuridão. No firmamento podemos ver as estrelas apenas a noite, de dia elas estão lá, mas não podemos vê-las... Para instigar pesquise sobre isso que os essênios disseram: “deus é como as trevas...”

A humanidade não cabe em um títulos: filho, pai, mãe, presidente... daí as decepções bilaterais quando não se age de acordo com eles.

Sensações precisam de crescentes adaptações. O sentimento não!

Ser normal na sociedade é ter o comportamento da maioria. E se a maioria é louca?

Onde há muita infelicidade também há muitos centros de entretenimento!

Espero ter me feito entender!

Edson carmo

Rener Brito disse...

Própria sociedade anda com a burqa(burka) da hipocrisia para em cobrir a verdadeira face da meretriz que é – a mesma sociedade que sob o véu da noite tira a sua burqa para se prostituir e deleitar-se nos prazeres da contradição de tudo que com hipocrisia e moralidade durante durante o dia prega e cobra duramente.

Lumenamena disse...

Edson Carmo,

Excelente discurso.

"Ser normal na sociedade é ter o comportamento da maioria. E se a maioria é louca?"

Se a maioria é louca! Mas afinal, o que se separa a loucura da normalidade?

Sem insistir no carácter perfeitamente normal das manifestações de certos loucos, na medida da nossa capacidade de avaliá-las, afirmamos a legitimidade absoluta da sua concepção de realidade e de todos os actos que dela decorrem.

Que conceito é este de ser normal, já que esta ideia é únicamente social. Este, o louco, pode ser aquele que foge às regras de conduta comuns, do estereótipo, tem um comportamento sem limitações, longe dos padrões ditos normais. Qual é a ténue fronteira que delimita os dois estados?

A noção de “loucura”, pode ser num indivíduo dito “normal” a intensificação máxima das emoções. Muitas vezes estes dois estados se interligam, mas nunca actuam simultâneamente.

Lumena

Edson Carmo disse...

Lumena,

A sociedade precisa padronizar para com isso dominar e controlar. Se uma pessoa não enquadra-se no padrão, ela não pode ser manipulada, controlada. Como uma pessoa em liberdade pode ser controlada? Então a sociedade se vinga, ela batiza tal liberdade com o nome de loucura. Os gregos eram os mais sábios nos tempos de Jesus. Eles odiaram a liberdade do mestre. Por isso mesmo os Judeus O chamaram de escândalo (armadilha) e os gregos disseram que era louco.

Edson Carmo

Lumenamena disse...

Rener Brito,

Na sociedade e muito silenciosamente a hipocrisia, é algo para se pensar. Visto também haver o lado radical de quem põe a religiosidade acima de tudo muitas vezes.

Um Grande Abraço,
Lumena

Rener Brito disse...

A hipocrisia é tão silenciosa que o próprio hipócrita é convicto de que ele mesmo é uma pessoa sincera e verdadeira.
O hipócrita não é uma pessoa autêntica: sorri quando tem cólera, tem atos de compaixão para com alguém, quando o seu desejo é de matar-lo. O hipócrita nada mais é do que um moralista

E o que é um religião!? Se não uma fabrica de condicionamentos onde as pessoas são privadas da espontaneidade e prontidão, para viverem mecanicamente por meio de deveres e obrigações, e conseqüentemente longe do AMOR.

Lumenamena disse...

Rener brito,

Muito obrigada pelo seu comentário excelente.

Na verdade o que é a religião?
Nada mais nada menos do que privar as pessoas de se questionarem.

Um Abraço,
Lumena