15.5.09

Consciência

QUEM SOU EU?

SOU CONSCIÊNCIA


"O que nós somos cada vez menos, quando caímos num sono sem sonhos; o que somos cada vez mais,
quando um ruído nos desperta aos poucos".

Como se deu a evolução da consciência?
Seria o cérebro o primeiro requisito da consciência?
Seria uma casualidade, como "caído do céu", como se tivesse aparecido
primeiro o espírito, e depois a consciência humana já formada?
Quero apenas questionar "quem"? E onde está essa consciência?
Em tempos alguém disse:
"Julgo ser mais importante sabermos quem somos, que somos na nossa essência, e se a verdade está dentro de cada SER Humano".

Todo o ser humano que vive, sem sequer auto-conhecer-se, sem desejar saber quem ele É, viveu a vida em vão...
Lumenamena

21 comentários:

Azoth disse...

De acordo com as antigas Tradições, ausentas da intelectualidade das modernas definições e de longe mais válidas, é nos dito que Consciência é igual a Vida.

Talvez compreendendo-se que as pedras vivem, as plantas vivem, os animais vivem e os Homens vivem, talvez se compreenda o que é a consciência.

lumenamena disse...

Há pessoas que pensam que as plantas sofrem, ou têm uma consciência. Já para não falar em pedras!
Não se conhece nenhuma espécie vegetal que possua um sistema nervoso. Não possuem consciência, não sofrem, não sentem nem alegria nem tristeza, ainda que seja mais agradável pensar que as plantas não participam do sofrimento do mundo.

Paulo Sempre disse...

"O que nós somos cada vez menos, quando caímos num sono sem sonhos; o que somos cada vez mais,
quando um ruído nos desperta aos poucos".

Por vezes, nas "asas" de certos ruidos somos catapultados para "universos" que não entendemos...
Há muitas questões colocadas pelo homem que não têm respostas inequivocas....
A fé, só por si, não ilimina as pertinentes dúvidas do homem.
Se o sonho "comanda" a vida, a fé transforma-a. Num e noutro caso, nunca há verdadeiras certezas. Quanto muito reinam as expectativas com tudo o que elas têm de subjectividade...

Paulo

lumenamena disse...

Paulo - "Se o sonho "comanda" a vida, a fé transforma-a."

Dizes e muito bem.
E quando os nossos sonhos se acabam, fica um vazio imenso, uma vontade de parar, de desistir de tudo.
Não há mesmo certezas de nada.

Abraços!

Azoth disse...

Olá Lumenamena
Imagina que alguém sofre de uma terrível doença e perde os cinco sentidos que captam estímulos do exterior. Poderá afirmar-me que essa pessoa perdeu a consciência? Quando alguém está a dormir não pode ter essa pessoa consciência dos seus sonhos? Ou quando alguém é iluminado com a solução para um problema não tem essa pessoa consciência desse problema? Estes dois últimos estímulos não vêm do mundo físico.
A consciência não está associada ao sistema nervoso, embora se possa servir dele como meio de uma maior percepção do mundo físico. Um exemplo simples, um girassol, não segue ele a trajectória do sol? Ele não possui nenhum sistema nervoso no entanto alguma espécie de consciência ele apresenta relativamente à luz solar.
A diferença fundamental entre nós e um girassol é que nós somos auto-conscientes, temos consciência de nós e dos objectos ao passo que o girassol é somente consciente.

lumenamena disse...

Azoth - Está a transmitir um pensamento muito acima daquele, que estamos habituados a conhecer sobre a consciência.
Quando sei algo mais, me sinto altamente privilegiada.
O tema "consciência" é muito complexo e vasto, que todos os pontos de vista constroem o conhecimento.
Analisando muito profundamente sobre as questões que coloca, penso que temos consciência da consciência.

E quando há dois elementos com reacções atómicas, pode-se dizer que aí existe consciência?

Obrigada pela participação.
Abraços

Hermeticum disse...

Azoth, eu sabia que ia chegar ao dia que ia concordar com o que escrevesses, amigo! :)
Subscrevo completamente a tua ultima intervenção e só gostaria, se me permitires, de acrescentar uma ideia. De facto nós somos (ou podemos ser) conscientes de nós próprios, ao contrátrio dos reinos animal, vegetal e mineral. Mas penso é podemos ir um pouco mais longe. Podemos, pelo menos, tomar consciencia de nós próprios e, com isso, o universo trabalhar através de nós.

Fica a ideia.
Um abraço,
Hermeticum

rogerio franco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Azoth disse...

Como está subjacente no comentário do Sr. Rogério, este é um tema “qb” de complexo e que pode levar qualquer um de nós a más interpretações.

Hermeticum, vamos lá ver se continuas a concordar comigo.

Lumenamena, não lhe vou responder à sua questão directamente, mas vou expor o tema um pouco mais, correndo o risco de ser mal interpretado devido à natureza dualista que todos nós possuímos. De facto, muitas vezes, é esta natureza que nos impede de compreender o todo pois acabamos por julgar a parte pela outra parte, cometendo tremendas injustiças.

Não há nada na natureza que não tenha o seu oposto. A dualidade, por sua vez, gera uma força e esta força gera movimento. Esta afirmação até pode mesmo ser demonstrada pela física ou pela matemática, tome-se como exemplo as cargas eléctricas positiva e negativa. Subjacente à manifestação existe a Lei, o grande imanifesto. Esta Lei aplica-se de igual modo às partes que se manifestam. As mesmas equações eléctricas que resolvem o problema de um campo gerado por um potencial negativo são as mesmas que resolvem o campo criado por um potencial positivo.

Não está o Homem também ele manifestado como homem e mulher?
Também sabemos pela física que, por exemplo, o electrão é formado por outros corpos, uma graduação de energia. Não será de supor que no homem também suceda o mesmo? Ou seja, “horizontalmente” já vimos que existe uma manifestação polar, homem vs mulher, mas “verticalmente”, assim como numa carga, também existem vários “corpos” que nos formam, uma graduação de energia, e este conjunto forma aquilo que reconhecemos como unidade ou Eu. Verticalmente, podemos chamar a esta graduação de Ser, vida. Horizontalmente, quando reconhecemos a multiplicidade fora de nós chamamos tal de consciência, mas ambas, como disse anteriormente são idênticas.

Todas as Antigas Tradições dizem-nos que, por sua vez a Consciência = Matéria, ou seja aplicado ao Eu, desde o ponto mais subtil que nos forma, que se poderá chamar de Mónada, espírito, essência, etc. até à nossa parte mais densa que conhecemos como corpo, somos uma manifestação de uma Lei, uma solidificação de consciência ou vida.

Se entendido, será isto um devaneio dos antigos Filósofos, dos antigos Amantes da Sabedoria?

Por incrível que nos possa parecer, a ciência anda a roçar os ensinamentos que essas mentes nos deixaram. Fisicamente, quando se toma partido da Energia ou da massa ambas, ilusoriamente, parecem-nos diametralmente opostas. Mas, o que disse Einstein, considerado por muitos um dos maiores génios da actualidade, vejam bem não um daqueles que actualmente consideramos como “extraviados” do mundo real, E=mc2 (energia é igual à massa multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz).

Alguém já meditou nesta equação? Energia = matéria? Não vai ela de encontro ao que nos dizem essas Tradições, ou seja, que a consciência e a matéria são dois aspectos manifestos da mesma coisa?

Mantenhamos a nossa mente aberta e eclética para evitar os dualismo pois estes conduzem-nos por um lado aos dogmas religiosos e por outro ao bisturi cientifico, e com esse mesmo espírito tentemos compreender o que a Dra. Annie Besant escreveu um dia

“Não há espírito sem matéria. Ambos influenciam-se mutuamente porque são partes inseparáveis da unidade que se manifesta como dualidade no espaço e no tempo.

O abismo aparece quando pensamos em espírito absolutamente não material e em corpo absolutamente material, pois nem um nem outro existem separados.

Não há espírito sem matéria que o envolva, nem matéria que não esteja animada por espírito.

O mais elevado Eu tem a sua película material e mesmo que a chamemos espírito pelo predomínio do aspecto consciência, não deixa por isso de ter o invólucro de matéria vibrante da qual emana impulsos capazes de afectar invólucros sucessivamente mais densos.”

Se à nossa mente dual faz confusão utilizarmos o termo espírito chamemos tal estado de matéria subtil, energia.

Nayara .NY disse...

A vida é um elo de misturas irreversíveis, entramos e saímos da vida das pessoas em um piscar de olhos... mudamos tudo e podemos não mudar nada, com um simples gesto, um simples olhar...
Quem somos? Algum dia será que essa pergunta encontrará resposta? Dúvidas criamos sempre, agora, quem irá tirá-las de nós? Somos seres de dúvidas, seres questionáveis e de questionamentos... Viver é não saber quem se é verdadeiramente... Viver é se preocupar, é se questionar... Viver é não ter respostas...

lumenamena disse...

Azoth - Sim, todos nós possuimos natureza dualista.
Não há efeito sem causa, nada procede do nada. Esses são axiomas, isto é, verdades incontestáveis.
Quando tocamos bem no fundo do nosso ser, queremos aprender a conhecer-mo-nos, a analisar as nossas faculdades, e encontramos os princípios da humanidade.
O conceito de um mundo subtilmente interligado, é uma forma de expressar a dualidade do Universo.
O Yin e o Yang é um modo perfeito que os antigos chineses encontraram de expressar a verdade absoluta.

Grata por transmitir um conhecimento brilhante.

lumenamena disse...

Olá Nayara!

"Quem somos?"

Para avaliarmos melhor quem somos, temos que transformar cada pequeno instante, em grandes momentos da vida.
Eliminar tudo que maltrata o nosso espírito, e dar lugar somente ao que nos engrandece como verdadeiros seres humanos.
Assim descobrimos realmente quem somos!

Aparece sempre!

Santos disse...

Bem muito obrigado antes de mais pelos comments pois penso não ter agradecido antes...

Quem somos? E onde está essa consciência?

Apenas me lembro de uma resposta neste momento... O que quer que sejamos deixamos de o ser. Somos como uma brisa de ar que apesar de estar constantemente a passar é sempre diferente...

E acho, numa humilde opinião, que para nos avaliarmos melhor não devemos transformar cada pequeno instante, em grandes momentos da vida... Porque senão onde ficaríamos? Grandes momentos da vida passariam a futilidades sem qualquer distinção... Penso sim que o ser humano precisa de aprender a absorver o pouco tão bem como absorve o muito... O mal como absorve o bem... São os pequenos que definem os grandes por comparação... Sem mal não haveria bem... Sem pequeno não haveria grande...

E termino apenas aborrecendo todos com a pergunta mais essencial... Antes de nos perguntarmos quem somos não deveríamos perguntar se alguma vez o vamos conseguir saber?

"Cogito ergo sum" (Penso logo existo) esta frase é o pilar que usamos normalmente para justificar a nossa existência... E nesta temática surge como um problema... Eu penso logo eu existo... Nada aqui nos garante que tudo o resto exista só garante a existência do individuo único. Como tal, e como para nos conhecermos temos que olhar não só para nós mas para todos os outros... Senão temos certezas da existência de outros como podemos conhecermos-nos verdadeiramente? Podemos tentar fechar os olhos e fingir que temos garantias que tudo existe... Mas nada nos garante então que as nossas conclusões estejam empiricamente correctas.

pink poison disse...

tenho consci~encia de que sou alguém. a minha consciência todos os dias se enriquece, com valores, com experiências, com problemas. Consciência para mim, anda de mãos dadas com a Razão, as forças do Universo e a vivência ao invés apenas existência.
Um beijo, amiga

lumenamena disse...

Santos - Retribuindo os agradecimentos.

Viver é saber transformar os pequenos instantes em grandes momentos.
Somos nós que decidimos como observamos o mundo à nossa volta. Se formos negativos, percebemos um mundo negativo, e a nossa tendência será de reagir com atitudes negativas. As atitudes positivas podem ser adoptadas quando percebemos as coisas pelas lentes das virtudes. É uma decisão interior, capaz de transformar, para melhor, o nosso estado de espírito e a nossa vida. Em vez de concentrar o foco nas dificuldades, focamos as possibilidades.
É um caminho no qual não encontraremos respostas prontas. Cada um de nós deverá passar pela sua própria experiência, e aprender a fazer suas próprias perguntas reais.

Santos disse...

Percebo o ponto de vista mas novamente tenho que perguntar se ao excluirmos o mundo negativo e a percepção negativa do mundo senão estaremos a rejeitar uma parte muito importante de nós mesmos?

Se vivermos num mundo cor de rosa de onde só percebemos um mundo feliz devido a atitudes positivas eventualmente iremos tomar isso como garantido e deixar de dar valor a isso. Penso que o ser humano aprende quem é através de comparações constantes... Sabemos o que é o bem porque conhecemos o mal.

Novamente compreendo o ponto de vista mas sinto que ao fazermos isso estaremos a negligenciar uma parte fulcral da vida humana.

lumenamena disse...

Santos - Atenção, eu falei em TRANSFORMAR, e não em excluir!
É evidente que ao excluirmos, estaremos a rejeitar essa parte muito importante de nós mesmos.
A tolerância nasce do discernimento entre o bem e o mal. Nota, que o verbo é discernir e não julgar. É muito fácil julgar, difícil é entender.
O que é o bem e o mal? Questão essa que cada filósofo irá dar uma resposta diferente e possivelmente ampla e vaga, pois como já escutei “são conceitos complexos, interpenetráveis e complementares”, difícil mesmo não achas?
Deixo-te com este pensamento, na esperança de que haja esperança quando olharmos o mundo e vermos o mal a surgir. Considerando o perfeito equilíbrio da natureza pela forma como a vemos. Esse mal fará o bom ser melhor, com certeza.

Abraços!

Azoth disse...

Permitam-me interferir na conversa, Sr. Santos e Lumenamena.
A dualidade provoca em nós uma expansão da consciência, um aumento da vida. O senso comum é bastante injusto para a parte que complementa a outra parte. Por ter atributos diferentes diz-se que é mau. No entanto, sem as trevas, jamais o Homem poderia apreciar a beleza da Natureza, porque a sombra e a luz definem o corpo. O grande erro é tomarmos parte da luz e combatermos as trevas ou tomarmos parte das trevas e combatermos a luz, daí que o mal e o bem não existam apenas existe a incompreensão ou a matéria caótica que aguarda ser ordenada após a nossa tomada de consciência. Ao agirmos segundo a Lei assumimos uma postura vertical que balança e equilibra os opostos. Só vamos conseguir a união perfeita quando dissermos eu sou negro e tu és branco, somos diferentes, mas somos Homens e aqui está a nossa unidade o Homem. Este pode manifestar-se sobre várias formas e polaridades mas será sempre Homem.
O verdadeiro bem é vertical, o vértice superior de um triângulo.
Existe uma frase que revela a sua ideia pela chave do parágrafo anterior, que diz ” O mal é oposto ao bem, mas o bem é sempre oposto a dois males.”

rogerio franco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lumenamena disse...

Azoth - "O verdadeiro bem é vertical, o vértice superior de um triângulo".

Toda a visão humana do mundo está sujeita ao triângulo, que é a chave da codificação. O nosso sistema sensorial só percebe as diferenças.
Se não fossem as diferenças, como seria para nós o Universo?
Então, meus amigos, o Universo apresenta-se não como uma grande máquina, mas como uma Grande Consciência.

Poderia ser o Universo um campo de consciência?
Aqui acrescento uma ideia do Hermeticum: "Podemos, pelo menos, tomar consciência de nós próprios e, com isso, o universo trabalhar através de nós".
Neste parágrafo faço alusão à consciência cósmica, ou seja, campos de forma (morfogenéticos).
Estes campos organizam não só os campos de organismos vivos, mas também de cristais e moléculas, que levam informações, e não energia.

A realidade é só uma:
"A eternidade do Universo no todo, como plano sem limites, periodicamente com cenários inumeráveis, manifestando-se e desaparecendo incessantemente, como um abrir e fechar de olhos".
É a força que nos eleva e permite descobrirmos, por nós mesmos, a verdade.

Grata!

Edson Carmo disse...

Não deixe ninguém convencer você a ser aquilo que você não é. Não deixe ninguém lhe prender num endereço. Você não é seu nome, nem um nome. Você não é seu título, esse não é o seu jeito..., esse é apenas um dos seus gostos, uma das suas conquistas... Lembre-se, você é a ausência das influencias! A sua voz não é a voz do seu pai, da sua mãe, dos sacerdotes, dos professores... O seu cheiro não é esses dos perfumes que você usa. A sua pele não são estas roupas que lhe vestem. Você não é nada do que as pessoas pensam ou falam ao seu respeito. Você não é o julgamento, nem a projeção das pessoas. O que você é, a sua consciência!


Edson Carmo